Resultados económicos do Feira Viva “positivos”. Sociedade de Turismo em retoma
Política Reunião de Câmara

Contas das empresas municipais em debateResultados económicos do Feira Viva “positivos”. Sociedade de Turismo em retoma

Os documentos de prestação de contas referentes a 2022 das duas empresas municipais, Feira Viva e Sociedade de Turismo, foram escrutinados em sede de reunião de Câmara. A ocasião foi aproveitada pelo Executivo para anunciar o alargamento da oferta de pulseiras de acesso à Viagem Medieval aos alunos do 10.º, 11.º e 12.º anos

Devido à impossibilidade de Emídio Sousa participar na discussão por ser presidente do conselho de administração da empresa, as contas da Feira Viva, Cultura e Desporto, foram apresentadas pelo vice-presidente Amadeu Albergaria, que começou por afirmar que “pela primeira vez, as vendas e prestações de serviços ultrapassaram os cinco milhões de euros, divididos pelas diferentes áreas de domínio: eventos, piscinas, Europarque e Parque Ornitológico de Lourosa”. O resultado positivo fixou-se em “80 mil euros”.

Face ao desempenho da empresa municipal no ano de 2022, “o valor orçamento em reunião de Câmara de transferência de dois milhões e 762 mil euros para a Feira Viva, não teve necessidade de se concretizar” na sua totalidade, tendo sido “reduzido em 580 mil euros”. Segundo Amadeu Albergaria, “a empresa atingiu os 70% de receitas próprias”.

No que respeita aos equipamentos geridos pela Feira Viva, começando pelas piscinas municipais, as de Lourosa e Fiães “superaram os resultados em relação a 2019″ (em 2020 estiveram encerradas devido à pandemia da Covid-19”, enquanto a de Santa Maria da Feira apenas prevê que atinja o volume de 2019 em 2023. O Zoo de Lourosa “superou os 30 mil visitantes, o que se traduz num crescimento de 15% em relação a 2019”; e a Viagem Medieval excedeu “as expetativas” da organização. “Foi uma retoma emblemática. Depois do interregno devido à pandemia, os valores superaram as expetativas. Em relação a 2019, o aumento foi de cerca de 40%, o que foi possível verificar na enorme afluência ao evento”, disse Amadeu Albergaria. O mesmo não pôde afirmar em relação ao parque natalício Perlim. “Perlim teve um constrangimento forte devido às obras no Castelo, mas criámos o mercado e o circo de Natal. Porém, vendemos menos cerca de três mil pulseiras, o que se relaciona com as condições climatéricas muito adversas”, explicou.

Já o Europarque foi palco de 311 eventos, 182 deles empresariais, 83 artísticos/culturais e 46 desportivos, de acordo com o vereador. Números que ostentou com satisfação, assim como os da natação adaptada, cujos atletas “bateram 60 recordes nacionais” no ano transato.

Em suma, o vice-presidente classificou o relatório de contas, que inclui ainda manutenções de equipamentos, como “positivo”.

Márcio Correia apressou-se a comentar, apontando “um conjunto de lacunas na estratégia de gestão”. Para o socialista, o aumento verificado reflete a sede do público por eventos, após a pausa imposta pela Covid-19. “É necessário haver uma maior oferta no Concelho, pois a empresa não abrange todo o território. Seria necessário garantir uma gestão mais eficiente e global”, considerou também, sem esquecer “o fracasso dos Dias do Burgo”. “O tempo vai passando e sentimos que não há capacidade de resposta da empresa”, disse.

“A empresa não está a desempenhar o seu principal papel com qualidade, a inserir todas as suas competências e valências no Concelho”, concluiu.

Em resposta, o vice-presidente mostrou-se contra o argumento de Márcio Correia para justificar a afluência aos equipamentos e esclareceu que a gestão da Feira Viva “não pode abranger todo o território”, dado que “os equipamentos estão sediados em determinadas freguesias”. Quanto aos Dias do Burgo foi sucinto: “também havia muitas críticas em relação à Viagem Medieval, mas as críticas de hoje serão certamente os elogios de amanhã”.

O momento foi aproveitado pelo Executivo para anunciar que todos os alunos até ao 12.º ano, que estudem ou residam no concelho de Santa Maria da Feira, vão receber uma pulseira de acesso à XXVI Viagem Medieval.

“As Termas estão num momento de recuperação”

Aos documentos de prestação de contas da Feira Viva seguiram-se os da Sociedade de Turismo de Santa Maria da Feira, gestora das Termas de S. Jorge.

“Tivemos cerca de 29.500 mil visitas, o que representa cerca de 44% de crescimento face a 2021, mas abaixo de 2019. Há um aumento significativo de novos termalistas, o que nos dá esperança para o futuro. A nível de contas, tivemos um volume de negócio de 678 mil euros, o que corresponde a um aumento de cerca de 43% em relação a 2021 e a uma quebra de 13% em relação a 2019. O resultado positivo é de 600.050 euros, pelo que, se consultados todos os indicadores, os objetivos estratégicos foram cumpridos”, explanou Emídio Sousa, sublinhando que “as Termas estão num momento de recuperação”.

Sérgio Cirino teceu considerações, nomeadamente sobre o modelo de negócios, que julga “esgotado”. Na opinião do socialista é fundamental “mudar a filosofia”, passando do “tratamento termal para o turismo termal”.

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Márcia Soares
JORNALISTA | Licenciada em Ciências da Comunicação. A ouvir e partilhar as emoções vividas pelas gentes da nossa terra desde 2019.
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